Reflexão de Final do Ano

Balança

Um ano difícil

Estamos já no final do ano 2016. Não há mais tempo para concluir planos e nem cumprir metas. Talvez somente seja possível concluir tarefas pendentes. E só. O ano acabou. Os resultados que foram plantados ao longo do ano já devem ter sido colhidos. Metas que ficaram para trás, somente poderão ser recuperadas no próximo ano, sem honra ou glória e fazendo peso extra nas metas de 2017.

Este foi um ano atípico. Nas empresas que visitamos e do que pudemos perceber nos comentários dos empresários, em 2016 foi feito somente o mínimo indispensável para as empresas sobreviverem. Gerentes, diretores e empresários foram muito cautelosos na condução dos seus negócios. Tiveram que tomar decisões difíceis e executar ações ainda mais difíceis. Cortes de pessoal foram muito comuns neste ano. Espero que as pessoas que fizeram os desligamentos os tenham feito de forma humana e somente como última alternativa. Um dos primeiros artigos deste blog tratava deste assunto: Gestão de Segurança em Tempos de Recessão. Vale uma releitura.

Já passamos por Crises antes

Embora seja grave, esta não é a primeira e tampouco será a última crise pela qual nosso país passou ou passará. A geração anterior, que estava no mercado de trabalho nos anos 70, 80 e 90 certamente viveu situações tão ruins quanto esta que estamos vivendo agora. Naquela época ainda havia a hiperinflação, problema econômico gravíssimo que corroía os salários, um verdadeiro caos. Embora ela esteja rondando a todos, não se instalou de fato. E, se tivermos juízo, mantivermos controle sobre nossos representantes – os políticos – e ficarmos vigilantes em relação aos nossos gastos, previdência e etc, não seremos vítimas da hiperinflação como o foram nossos pais.

Impacto sobre a Segurança

Mas, e a Segurança? Este é um blog sobre este assunto, afinal.

Segurança costuma andar junto com o desempenho industrial. Se o desempenho é bom, são gerados empregos, há investimentos em novos processos, são feitas melhorias, equipamentos de proteção coletiva são instalados e capacitação de funcionários é feita com primor.

Em épocas de recessão, somente se faz o mínimo necessário. Os resultados de Segurança costumam piorar nas crises, pois os ambientes passam a carecer de cuidados como manutenção preventiva e asseio. Além disso, as empresas passam a não contar com as melhorias que se fizerem necessárias. Somando-se a esse fator, o baixo moral dos funcionários aliado ao medo de serem malvistos caso reclamem de más condições de segurança contribui para o aumento da negligência no cumprimento de regras. Há também o aperto das cobranças por parte das lideranças de produção. Cobranças estas que nem sempre são feitas de forma sadia, especialmente quando se tratam de gestores menos preparados, que acabam por amplificar a pressão que recebem de seus superiores em vez de amortecê-la para manter a estabilidade do grupo, como seria de se esperar.

Uma boa maneira de explicar a provável piora dos resultados de Segurança nas empresas é usar o modelo de gestão Esforço Consciente, defendido pela Leonidasseg.

Em situações de crise, as empresas tendem a se posicionar na ZONA  0, da INDIFERENÇA, onde tanto o esforço quanto os resultados obtidos são baixos.

Empresas bem estruturadas, com equipes de Segurança experientes e gestão participativa conseguem, mesmo nestas situações, se manter na zona 1, do FOCO.

Planos, planos, planos!

Ao que tudo indica, 2017 será um ano de recuperação bem tímida da economia. Sendo assim, as empresas tenderão a voltar a investir em Segurança. É fundamental que o façam da maneira correta, para evitar que se posicionem na zona 3, do DESPERDÍCIO. Isto se faz através um bom planejamento.

Um bom plano anual de segurança deve contemplar pelo menos 4 áreas principais:

Conformidade Legal: aqui entram todos os itens exigidos pela Legislação, tais como eleição da CIPA, envio dos relatórios anuais e todas as demandas impostas pelas Normas Regulamentadoras.

Melhorias de Processo: Sempre há necessidades de melhorias nos ambientes de trabalho. Seja substituir algum equipamento, melhorar suas proteções ou redefinir algum processo administrativo, estas oportunidades devem ser mapeadas e atacadas o quanto antes.

Formação e Capacitação de Pessoal: Formar e capacitar as pessoas é a melhor maneira de garantir a estabilidade dos resultados de Segurança. Trabalhadores esclarecidos e conscientes expõem-se menos a riscos e tem desenvoltura para reconhecer e reportar situações de trabalho que apresentem condições ruins.

Engajamento e Participação dos Gestores e Funcionários: Culturas de Segurança sadias permitem e encorajam a participação de todos em assuntos relacionados a Segurança, Saúde e Meio Ambiente. Esta participação pode ser de forma estruturada (CIPA, Comitê de Ergonomia, Sugestões de Segurança, …) ou não-estruturada, em que a empresa deixa todos à vontade para falar sobre o assunto e tomar ações quando necessário.

Adicionalmente, dependendo do nível de maturidade da empresa, podem ser incluídos tópicos sobre Sistema de Gestão e Melhorias Comportamentais, por exemplo.

Execute o Plano, Meça seu Desempenho

Feito o plano, é necessário executá-lo e verificar sua eficácia através de indicadores proativos e reativos. Como já dizia Peter Drucker, “O que não pode medido não pode ser melhorado“.

Destes, os mais importantes são os indicadores REATIVOS, que mostram, sem margem de dúvidas, se tudo aquilo que está sendo feito tem o efeito desejado sobre a segurança. Muito esforço e pouco resultado é uma prova claríssima de que o foco das ações está equivocado. Bons planos têm flexibilidade. Ajuste conforme necessário.

Como está o seu balanço de Final do Ano? Como sua empresa está se planejando para o próximo ano? Será melhor do que este? Esta é a expectativa a ser satisfeita!

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