Um Homem sob Ataque

Breve análise dos danos sociais e psicológicos sofridos por um homem falsamente acusado de violência doméstica e as lições para casais e sociedade.

Sempre tive admiração pelo Johnny Depp como ator. Lembro de diversos personagens feitos por ele: Willy Wonka, Edward Mãos de Tesoura, Barnabas Collins e, obviamente, o Capitão Jack Sparrow. Me parecia que esses personagens carregavam muito da personalidade do próprio Johnhy Deep ali, que não era “só” atuação. Um pouco da alma dele era mostrada ali. O diretor Tim Burton escolheu esse ator para muitos de seus filmes exatamente por essa razão, acho eu.

Eu gostava também do fato do Johnny Depp ser um rockstar autêntico, com suas bandas The Kid, Rock City Angels e a superbanda Hollywood Vampires (que definitivamente vale uma busca no Youtube). Não era encenação: Johnny Depp mandava muito bem tocando guitarra elétrica e como frontman de suas bandas.

Tendo crescido onde cresceu, com as companhias que teve, era mais ou menos esperado que sua vida não seria isenta de drogas, excessos e alguns escândalos. Tudo isso bem comum na vida de uma estrela do rock, astro de Hollywood, não é?

Eu sabia também que Johnny Depp era pai de dois filhos, jovens agora. Aparentemente bem-criados e amados, apesar da separação entre o ator e a mãe das crianças.

Recentemente vi com tristeza o caso desse ator sendo mostrado ao mundo todo em uma corte de justiça norte-americana como sendo um homem violento e abusivo. Essa imagem fez com que ele perdesse papéis e prestígio em sua profissão. No final das contas, sua reputação foi destruída e levou-o a perdas financeiras significativas e, ao que parece, a algum grau de depressão.

À primeira vista, as acusações feitas por Amber Heard contra o ator frente ao juiz pareciam ser válidas. Não seria o primeiro caso de uma celebridade perdendo o controle por conta de álcool e drogas e se tornando violento contra a mulher que está ao seu lado. Isso era quase que um padrão em décadas anteriores. O ator deveria simplesmente admitir sua culpa, fazer um acordo milionário com a outra parte e abafar o caso, minimizando suas perdas e seguindo sua vida.

Não foi isso que aconteceu. Algo fez com que o ator famoso e com toda a pinta de ser culpado do que lhe acusavam firmasse posição como inocente e lutasse. Ao saber que Johnny Depp dispôs-se, contra todos os conselhos de seus advogados e assessores de relações públicas, a enfrentar uma batalha jurídica longa, caríssima e possivelmente humilhante, passei a prestar mais atenção na história.

Embora ele e a ex-esposa sejam excelentes atores que poderiam estar encenando tudo da forma que foram instruídos para obter vantagens, esqueçamos esse detalhe por um momento e os tratemos como pessoas comuns que são levadas frente a um juiz.

Ao observar o comportamento do homem e da mulher em juízo, percebi que ele também era vítima.
Na vida do casal, conforme os testemunhos prestados e provas apresentadas, não faltaram agressões, mas, quem agredia não era o homem. Os golpes e xingamentos vinham da mulher, restando ao ator tentar evitar conflitos, atiçando ainda mais a fúria da ex-companheira.

Johnny Depp tem respondido a todos os questionamentos do juiz de forma comedida, longe da autoconfiança que demonstra frente à sua banda de rock. Isso faz pensar em seu papel como homem que, de certa forma, já havia sido previamente condenado por todos somente por sua condição masculina, logo, obviamente um opressor e culpado que deve justificar suas ações muito bem, evitando mal-entendidos e interpretações duvidosas. As respostas têm sido serenas a questionamentos bem humilhantes, feitos de forma capciosa pelo advogado da outra parte, bem ao estilo do sistema jurídico norte-americano.

O julgamento não terminou ainda, mas parecem estar sendo desmentidas muitas inverdades proferidas pela mulher que o acusou no processo que o difamou. Espero que a justiça seja feita.

Infelizmente, todos perdemos com essa briga. Os principais perdedores são o casal Johnny e Amber, que quando se uniram, deveriam pensar em um final diferente para sua relação. Perdemos nós também fãs, que não teremos mais personagens icônicos para nos lembrar dos astros Johnny Depp e Amber Heard nas telas de cinema. Restou somente mais uma história triste de Hollywood.

Aos casais, embora poucos tenham a possibilidade de viver nos extremos em que as duas celebridades envolvidas viviam, fica o alerta de que devemos escolher muito bem quem permanece ao nosso lado e valorizar essa pessoa todos os dias. Que saibamos reconhecer os primeiros sinais da discórdia e eliminá-los o quanto antes.

À sociedade, fica a lição de que não devemos julgar nem muito rápido e muito menos de acordo com as últimas tendências sociais, da moda ou da política. Justiça é justiça, com ponto final, e sem qualificadores como “de gênero”, “social” etc. Justiça depende da verdade. E só.

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Leonidas Brasileiro
Leonidas Brasileiro
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